sexta-feira, 27 de junho de 2014

REFAZENDA


Instalação Refazenda - 2014 - Imagem de Tarsila Monteiro-  Varanda Frontal.
 Entre os vãos, as unidades de nossa Instalação.
Uma aproximação entre o vocábulo refazenda, retirado da emblemática música de mesmo nome, de Gilberto Gil, com uma atividade que envolve, de fato, uma fazenda real, poderia se perder no risco do anedotário. Entretanto, em nenhum momento o Grupo CÁFAROartesvisuais se deixou levar por este temor, pois afinal, a direta relação entre aquelas palavras é o que de menos importante há na conceituação de nossa proposta.

Se de modo geral o movimento de Ocupação da Fazenda Colubandê almeja sua reutilização em sua dimensão cultural, artística, patrimonial e social, o que se impõe é a ideia da renovação, expressa no sentido do reverdejar, do renascer, estabelecidos em ciclos como na canção que nos serviu de referência inicial.

Ainda assim, é evidente que toda imagem que se busca estabelecer aqui é facilmente sintetizada pela ideia do Refazer, mas se fossemos ceder á esta potência, poderíamos, ou antes, deveríamos tratar nossa problemática somente recorrendo à grandeza consagrada no discurso imagético já estabelecido por outro criador na sua obra musical.

Mas tampouco trata o nosso trabalho de uma transferência de sentidos, um exercício de transitar da música para as artes visuais. Sentimos nós o mesmo drama da relação com o tempo, da espera, do desejo, do incômodo de ter que acatar os atos, de estar sob as imposições históricas, econômicas, sociais e políticas que alijam nossa cidade do panorama de também usufruir do acúmulo de conhecimento, em conjunto com o aparelhamento, que permeiam a vida cultural de outros grandes centros.


Instalação Refazenda - 2014
Imagem:Tarsila Monteiro
Instalação Refazenda - 2014
Imagem:Tarsila Monteiro
Instalação Refazenda - 2014
Imagem:Tarsila Monteiro
         
Sendo assim, o que se estabelece aqui é a nossa Refazenda, o nosso renovar, que se aguarda no tempo, mas não como esperança vã, aquela ingenuamente subentendida no próprio ato de se estar em esperança; antes na certeza de estabelecer a lógica, ainda que absurda socialmente, de que quem espera, espera o que vem. Se o tempo impõe que se espere, é certo que ele traz o que promete.


“Abacateiro, acataremos o teu ato, nós também somos do mato como o pato e o leão. Aguardaremos, brincaremos no regato, até que nos tragam frutos teu amor, teu coração”.



Mário César Candido Vieira