REFAZENDA
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| Instalação Refazenda - 2014 - Imagem de Tarsila Monteiro- Varanda Frontal. Entre os vãos, as unidades de nossa Instalação. |
Uma aproximação entre o vocábulo refazenda, retirado
da emblemática música de mesmo nome, de Gilberto Gil, com uma atividade que
envolve, de fato, uma fazenda real, poderia se perder no risco do anedotário.
Entretanto, em nenhum momento o Grupo CÁFAROartesvisuais se deixou levar por
este temor, pois afinal, a direta relação entre aquelas palavras é o que de
menos importante há na conceituação de nossa proposta.
Se de modo geral o movimento de Ocupação da Fazenda
Colubandê almeja sua reutilização em sua dimensão cultural, artística,
patrimonial e social, o que se impõe é a ideia da renovação, expressa no
sentido do reverdejar, do renascer, estabelecidos em ciclos como na canção que nos
serviu de referência inicial.
Ainda assim, é evidente que toda imagem que se busca estabelecer
aqui é facilmente sintetizada pela ideia do Refazer, mas se fossemos ceder á
esta potência, poderíamos, ou antes, deveríamos tratar nossa problemática somente
recorrendo à grandeza consagrada no discurso imagético já estabelecido por
outro criador na sua obra musical.
Mas tampouco trata o nosso trabalho de uma
transferência de sentidos, um exercício de transitar da música para as artes
visuais. Sentimos nós o mesmo drama da relação com o tempo, da espera, do
desejo, do incômodo de ter que acatar os atos, de estar sob as imposições
históricas, econômicas, sociais e políticas que alijam nossa cidade do panorama
de também usufruir do acúmulo de conhecimento, em conjunto com o aparelhamento,
que permeiam a vida cultural de outros grandes centros.
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| Instalação Refazenda - 2014 Imagem:Tarsila Monteiro |
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| Instalação Refazenda - 2014 Imagem:Tarsila Monteiro |
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| Instalação Refazenda - 2014 Imagem:Tarsila Monteiro |
Sendo assim, o que se estabelece aqui é a nossa
Refazenda, o nosso renovar, que se aguarda no tempo, mas não como esperança vã,
aquela ingenuamente subentendida no próprio ato de se estar em esperança; antes
na certeza de estabelecer a lógica, ainda que absurda socialmente, de que quem
espera, espera o que vem. Se o tempo impõe que se espere, é certo que ele traz
o que promete.
“Abacateiro, acataremos o teu ato, nós também somos
do mato como o pato e o leão. Aguardaremos, brincaremos no regato, até que nos
tragam frutos teu amor, teu coração”.
Mário César Candido Vieira




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